Vinho Madeira no Mundo
 Após o ciclo da cana sacarina, outro produto regional guindou a Madeira às bocas do Mundo. Literalmente. O Vinho Madeira, um dos mais cobiçados pelos devotos do vinho fortificado, devolveu à ilha o estatuto de grande entreposto comercial. Numa época em que as relações comerciais floresciam, a localização da Madeira garantiu-lhe predominância nos itinerários mercantis, com o Atlântico como plataforma giratória entre a Europa, o continente americano e o oriente. Obras literárias intemporais também reservaram ao Vinho Madeira um lugar particular. Shakespeare, Tolstoy e Dostoievski, por exemplo. Esta liturgia da eternização dos “vinhos odoríferos”, como o definiu Camões no episódio da Ilha dos Amores, terá  encontrado na Declaração da Independência dos Estados Unidos da América um dos seus momentos de glória. Diz a tradição que George Washington e companheiros brindaram com Vinho Madeira. Será um devaneio imaginar que o Vinho Madeira contribuiu para que o “sonho americano” inebriasse tantos?     A presença incontornável da Madeira nas rotas mercantis atraiu para a ilha britânicos que aqui se instalaram e deram origem a uma comunidade vigorosa. Cedo manifestaram interesse no Vinho Madeira, assumindo posições estratégias na sua produção e comercialização. Nos alvores do século XIX, John Blandy, soldado britânico destacado para a Madeira durante o período das invasões napoleónicas, estabeleceu-se na ilha e iniciou a construção de um império associado ao vinho que, dois séculos depois, não perdeu fôlego. Integrada na Madeira Wine Company, juntamente com outras empresas que se dedicam ao Vinho Madeira, as Adegas de São Francisco, “The Old Blandy Wine Lodges”, prestam tributo à excelência de um néctar que circula, há séculos, nas veias do globo.