Descobrimentos e cultura sacarina
 Pórtico dos Descobrimentos, empreitada lusa que viria a dar “novos mundos ao Mundo”, o Arquipélago da Madeira foi a primeira descoberta dos navegadores portugueses. Naqueles tempos, ainda sob influência de uma Idade Média que se demorou em Portugal, fez sentido resgatar a frase do general romano Pompeu quando, perante marinheiros temerosos, bradou “navegar é preciso, viver não é preciso”. “Quero para mim o espírito desta frase”, assumiria, séculos depois, Fernando Pessoa. Num acaso venturoso, enquanto as caravelas farejavam o odor magnético da costa africana, um temporal afastou-as da rota. À deriva durante algum tempo, os homens liderados por João Gonçalves Zarco avistaram uma pequena ilha que os redimiu da tragédia. Corria o ano de 1418 quando os primeiros passos tatuaram uma marca indelével nas areias do Porto Santo, como logo batizaram a ilha. Pouco depois, em 1419, a Madeira, hoje capital do arquipélago, acolheu os navegadores portugueses. Estava cumprida a primeira etapa de uma das maiores epopeias da Humanidade.    Logo nos primórdios do povoamento, o visionário Infante D. Henrique, mentor dos Descobrimentos, apercebeu-se do potencial telúrico da ilha. A cultura sacarina, rara na Europa, foi importada da Sicília e testada na Madeira. A experiência revelou-se auspiciosa e, num ápice, o esplendor da cultura sacarina permitiu à Madeira reivindicar um espaço singular nos principais roteiros comerciais. A “descoberta” e povoamento do Brasil, país que também proporcionou condições ímpares para o desenvolvimento da cana-de-açúcar, feriram a primazia da Madeira, pelo que o declínio era inevitável. Hoje, contudo, a cana-de-açúcar continua a distinguir a atividade agrícola da Região, essencial para a produção do consagrado mel-de-cana madeirense.