Zygmunt Bauman    Escritor e Sociólogo (Polónia)   Programa
Um dos mais insignes pensadores da contemporaneidade, Zygmunt Bauman nasceu em 1925, na Polónia. Sociólogo, iniciou a sua carreira académica na Universidade de Varsóvia e logo gerou convulsões. Antes, o “mal absoluto” nazi, como o definiu Hannah Arendt, fez da Polónia uma das suas vítimas. As vagas antissemitas obrigaram Bauman ao exílio na Rússia, integrando-se no exército polaco, sob a égide soviética, para combater Hitler. Condecorado pelo seu contributo durante o apocalipse da II Guerra Mundial, prosseguiu uma carreira militar que viria a ser interrompida porque o seu pai tentou obter, junto da embaixada de Israel, carta-branca para emigrar. Dedicando-se, exclusivamente, à carreira académica, em 1957 Bauman publicou o seu primeiro livro, anunciando ao que vinha. Em plena Guerra Fria e num país que vivia à sombra da “Cortina de Ferro”, Bauman reflete sobre as premissas que sustentam o centralismo democrático de Lenine.   

Mais tarde, essa rebeldia intelectual de Bauman fez dele um alvo. Com livros censurados, Bauman foi obrigado a emigrar, estabelecendo-se como professor titular na Universidade de Leeds, após passagens pelo Canadá, Estados Unidos e Austrália, etapas durante as quais reconstruiu a sua carreira. Autor com uma obra imensa, entre livros e ensaios, tudo o que compõe o quotidiano está sujeito ao crivo de Bauman. Com Modernidade Líquida, livro através do qual o professor emérito da Universidade de Leeds escalpeliza estes tempos hostis à construção de laços sólidos, Bauman cunhou um conceito. Em Modernidade e Holocausto, uma das suas mais aclamadas obras, o sociólogo diagnostica as repercussões virulentas que percorreram os tempos, até hoje. Há mais de meio século “a traduzir o Mundo em textos”, como se autodefiniu, A nova delphi publicou, este ano, Europa Líquida, uma entrevista em forma de livro que reforça a sagacidade analítica de Zygmunt Bauman.

Foto © Mariusz Kubik

5 DE ABRIL | 16:00

Universidade da Madeira

6 DE ABRIL | 17:15 | Conversa à mesa

Zygmunt Bauman e José Rodrigues dos Santos