Sérgio Godinho    Cantautor (Portugal)   Programa

Nascido em 1945, no Porto, Sérgio Godinho é um dos grandes nomes da música portuguesa das últimas quatro décadas. Com mais de 20 discos editados, entre os quais 17 álbuns de originais, Godinho estreou-se com Os Sobreviventes, em 1971. O título do trabalho de estreia, gravado em França, revelou-se um bom prenúncio para a carreira do artista que resistiu à voracidade com que os tempos consomem “ídolos”. Ainda no estrangeiro, num exílio motivado pela perseguição que o regime do Estado Novo movia contra os seus detratores, Sérgio Godinho lançou o segundo álbum, Pré-História. Discos premiados pela Casa da Imprensa e censurados pela ditadura, Godinho assumiu sempre o estatuto de “artista comprometido”. Após o advento do regime democrático, o cantor e compositor regressou ao país e contribuiu para moldar a tessitura cultural da jovem democracia. Com Um Brilhozinho Nos Olhos, Godinho cantou o ideário da reinvenção, pessoal e coletiva. Primeiro Dia e Terça-Feira, entre outros temas, elevaram o cantor ao estatuto de intérprete de uma certa portugalidade. O regresso à Pátria deu origem a uma atividade fulgurante. Em 1975, com outros nomes incontornáveis da canção de intervenção, como José Mário Branco e Fausto, Sérgio Godinho desdobra-se entre os palcos, a composição de temas para filmes e, ainda, na representação como ator em Os Demónios de Alcácer Quibir. Os tempos fervilhantes do período pós-revolução contagiam Godinho. Em 1979, o cantor edita o seu sexto álbum de originais, Campolide, considerado o Melhor Álbum de Música Portuguesa do Ano. Canto da Boca, no início da década 80, voltou a merecer laudatórias. 

 

A Casa da Imprensa contemplou-o com o prémio para Melhor Disco Português do Ano e com o galardão que distingue o Melhor Cantor Português do Ano. Ainda nesse reluzente decénio, Sérgio Godinho gravou temas compostos em parceria com alguns dos mais conceituados músicos brasileiros, como Chico Buarque, Ivan Lins ou Milton Nascimento, e integrados no álbum Coincidências. A cortina desceu sobre os anos 80 e Godinho contava com um notável pecúlio: seis álbuns. Na década de 90, e já com 20 anos de carreira, o cantor assumiu-se como “escritor de canções”, nome do espetáculo minimalista – apenas com dois músicos acompanhantes - que que deu origem a um álbum homónimo. Artista versátil, foi autor de uma série para televisão, Luz na Sombra, e realizou três pequenos filmes de ação, com argumento e música próprios, para além de ter escrito e ilustrado a obra infantojuvenil O pequeno livro dos medos. Já no século XXI, o “escritor de canções” dissecou o Mundo à Lupa, álbum queantecedeu uma trilogia que assinalou 30 anos de carreira. Ligação direta, de 2006, e Mútuo Consentimento, de 2011, reforçam a discografia de um artista que parece ter descoberto O Elixir da Eterna Juventude. Na passagem dos 40 anos de carreira, em 2011, a editora Abysmo homenageou o músico com a publicação da obra gráfica Sérgio Godinho e as 40 ilustrações. João Paulo Cotrim, editor da Abysmo, convidou 40 artistas que ilustraram outros tantos temas selecionados pelo próprio Sérgio Godinho. 

5 DE ABRIL | 21:30

Concerto | «Da minha língua vê-se o mar»